quarta-feira, 18 de julho de 2007

A Alegria do Brasileiro

Segue abaixo mais um artigo do meu amigo e Pastor, Celso Fonseca.


Um forte amplexo e que Deus te abençoe.....
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Feliz com a conquista do seu primeiro título como técnico da seleção brasileira, Dunga dedicou a vitória de forma especial. Em entrevista coletiva após a vitória por 3 a 0 sobre a Argentina, e disse:
- Viemos aqui para resgatar a auto-estima do torcedor brasileiro. O nosso povo tem poucas alegrias, sai todo dia de casa muito cedo para trabalhar o dia inteiro. Hoje demos mais alegria ao torcedor e era isso o que a gente queria.

Só que essa alegria durou muito pouco. Muito pouco mesmo. Isso porque 48 horas depois o mundo ficou chocado com o acidente no aeroporto de Congonhas com quase duzentos mortos.

Voltei a ler o artigo do colunista deste importante jornal (O Alfinete)[1] Valmor Bolan, prenunciando a tragédia há duas semanas.

Como cidadão brasileiro eu resolvi demitir a ministra do Turismo, Marta Suplicy que disse aos passageiros aéreos que relaxassem e gozassem. Demito o ministro da Defesa Waldir Pires que não fez nada que evitasse esse acidente anunciado e deixou funcionar uma pista sem condições de enfrentar a primeira chuva que caiu. Demito também o presidente Lula pelo seu desgoverno. Para mim ficou evidente que a causa do acidente foi o problema na pista do aeroporto de Congonhas com sua reforma inconclusa.

Trazendo para perto de nós uma situação semelhante, basta olharmos para o asfalto da rodovia Marechal Rondon. Eu sou motorista profissional e vejo claramente a negligência do governo estadual (que ainda é mais eficiente neste ponto que o federal) com essa rodovia. Nós pagamos, além do IPVA, R$ 6,30 de pedágio para ir a Bauru. E o asfalto é péssimo. Em dia de chuva, como na última terça-feira, mesmo dia do acidente com o avião da Tam, eu transitava para Bauru, certo de que encontraria algum veículo caído na caneleta e não deu outra, tinha uma carreta tombada lá. Deixo aqui um alerta. Em dia de chuva tome muito cuidado na rodovia Marechal Rondon, e não se impressione com a pista dupla.

Então, o Dunga está certo, “o nosso povo tem poucas alegrias”, e a que ele e os garotos da seleção de futebol deram, durou muito pouco.

Isso explica porque, no domingo às 19 horas, nossas igrejas estavam lotadas de pessoas mais interessadas na Palavra de Deus do que na final da Copa América.

Essas pessoas já perceberam que as alegrias como a que Dunga oferece duram muito pouco. O presidente Lula ficou magoado com a vaia que recebeu na abertura dos jogos Pan-americanos. Mas, na quarta-feira era difícil vibrar com alguma vitória dos brasileiros nos jogos, por causa da tristeza de Congonhas. Por isso as vaias fizeram muito sentido.

Não deixo de pensar também nas vítimas de trânsito em 2005, os registros de óbitos chegaram a 35.753 (segundo o ministério da saúde, mas há fontes que indicam 70 mil). Quanto às internações no Sistema Único de Saúde (SUS), dados de 2006 indicam que foram 123.061, ao custo de R$ 118 milhões. A maioria das internações (41.517) ocorreu por atropelamentos, seguidos pelos acidentes com motociclistas (34.767).

Portanto, seja no transporte terrestre ou aéreo, o valor que nossa sociedade dá a vida é muito pequeno. Não é pequeno nos impostos. Mas é muito pequeno na responsabilidade de nossas autoridades.

A Palavra de Deus manda que honremos os impostos. Mas fala também das responsabilidades daqueles que os recebem. Louvo a polícia militar que me autua quando transito com o veículo de pneus carecas. Da mesma forma o povo, que na democracia é senhor, deveria autuar as autoridades que falham em suas responsabilidades. Em Lucas 12:47 e 48 Jesus disse o seguinte: “Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não ... a realiza, receberá muitos açoites. ... A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.” (NVI).

O texto acima fala do juízo final. O “senhor” é Deus e o “servo” somos nós. Mas esse mesmo princípio deve ser aplicado às nossas autoridades, uma vez que, na democracia, o povo é senhor e os cargos eleitos são servos do primeiro escalão. Por isso eu os demito porque eles não estão podendo cumprir suas obrigações.

Celso Fonseca



[1] http://www.oalfinete.com/valmor.htm

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